Quando se fala em Venezuela, logo surgem discussões sobre política, economia e crise. Muitas pessoas dizem que o país é comunista, outras afirmam que é apenas socialista. Essa confusão é comum, já que os dois termos são parecidos, mas têm diferenças claras. Neste artigo, vamos explicar de forma simples e direta se a Venezuela é comunista ou socialista, como o país chegou a esse modelo e o que isso significa na prática.

Entendendo o que é socialismo e comunismo
Antes de classificar a Venezuela, é importante entender o que realmente significam esses dois sistemas.
O socialismo é um modelo político e econômico que defende que o Estado deve ter um papel forte na economia, controlando ou regulando setores estratégicos e buscando reduzir as desigualdades entre ricos e pobres. O foco está na justiça social, na distribuição de renda e no acesso coletivo aos recursos.
Já o comunismo é uma forma mais radical de socialismo. Nesse sistema, o Estado deixaria de existir com o tempo, e toda a propriedade seria coletiva, sem empresas privadas, sem herança, sem lucro individual e sem classes sociais. Na teoria, todos viveriam de forma igualitária, compartilhando os bens e os meios de produção.
Na prática, nenhum país do mundo conseguiu atingir completamente o modelo comunista. As nações que tentaram — como a antiga União Soviética, China (em parte) e Cuba — aplicaram formas autoritárias de governo com forte controle estatal.
A origem do socialismo venezuelano
A Venezuela se tornou conhecida por seu modelo político e econômico após a ascensão de Hugo Chávez ao poder em 1999. Ele implementou um projeto chamado “Revolução Bolivariana”, que tinha como base ideias do socialismo latino-americano, inspiradas em figuras como Simón Bolívar e em líderes como Fidel Castro.
Chávez prometeu combater a pobreza e a desigualdade, usando os lucros do petróleo — principal fonte de renda do país — para financiar programas sociais, saúde, educação e subsídios à população mais pobre.
O modelo adotado por ele ficou conhecido como “socialismo do século XXI”, que mistura elementos de socialismo clássico com políticas nacionalistas e populistas. O governo passou a controlar setores importantes da economia, nacionalizando empresas e reduzindo o espaço do setor privado.
A economia sob o controle do Estado
Durante o governo Chávez, várias empresas privadas foram estatizadas, principalmente nas áreas de petróleo, energia, mineração e alimentação. O Estado passou a controlar a maior parte da produção e a definir preços e salários, o que inicialmente trouxe benefícios sociais, mas gerou dependência do petróleo e desorganização produtiva.
Quando o preço do petróleo despencou, o país mergulhou em uma crise. Sem divisas suficientes e com alto controle estatal, a economia entrou em colapso. Isso resultou em inflação altíssima, escassez de produtos básicos e desvalorização da moeda.
Essas medidas não são características do comunismo puro, e sim do socialismo de Estado, onde o governo intervém fortemente, mas ainda existe propriedade privada — embora limitada.
O governo de Nicolás Maduro
Após a morte de Chávez em 2013, Nicolás Maduro assumiu o poder prometendo manter o mesmo modelo político e social. O problema é que, sem a mesma habilidade de liderança e com uma economia cada vez mais enfraquecida, o governo enfrentou protestos, sanções internacionais e queda drástica na produção de petróleo.
Maduro manteve o discurso socialista, mas tomou medidas cada vez mais autoritárias. O Estado passou a controlar a imprensa, reprimir opositores e intervir no Judiciário e no Legislativo. Isso fez com que muitos críticos chamassem o regime de ditadura socialista.
Ainda assim, o país não se tornou comunista, porque a propriedade privada ainda existe, mesmo que limitada, e há mercado interno — embora enfraquecido e controlado.
O que faz as pessoas chamarem a Venezuela de comunista
A confusão vem principalmente da falta de distinção entre socialismo e comunismo. Como a Venezuela tem forte intervenção estatal, censura, repressão política e controle de empresas, muitas pessoas associam isso ao comunismo, mas são coisas diferentes.
No comunismo puro, não existiria propriedade privada, nem empresas particulares, nem dinheiro circulando como no capitalismo. Já na Venezuela, mesmo com restrições, ainda há negócios privados, mercado e moeda — o que a mantém dentro do campo do socialismo autoritário, e não do comunismo.
Comparando com outros países socialistas
Alguns países também adotam regimes que se autodenominam socialistas, mas com características próprias:
- China: tem partido comunista, mas uma economia de mercado com forte abertura para o capital privado.
- Cuba: segue modelo socialista clássico com restrições econômicas e controle estatal.
- Coreia do Norte: é uma ditadura de inspiração comunista, com controle total e economia centralizada.
A Venezuela se encaixa mais próxima do modelo cubano em discurso, mas com uma economia menos controlada e mais dependente do petróleo e das importações.
A situação atual da Venezuela
Hoje, o país vive uma mistura complexa de autoritarismo político e socialismo econômico enfraquecido. Apesar de o governo ainda usar o termo “socialista”, na prática a Venezuela se aproximou de um sistema híbrido, onde existe mercado interno, mas o poder central é extremamente concentrado.
O governo controla:
- O setor energético (principalmente o petróleo).
- O câmbio e as importações.
- O sistema de mídia e as forças armadas.
Mesmo assim, negócios privados pequenos e médios ainda operam, principalmente nas grandes cidades, vendendo produtos importados e atendendo uma parte da população que consegue pagar em dólar.
Portanto, o modelo atual é mais um socialismo autoritário com abertura parcial de mercado, e não um comunismo puro.
E o povo venezuelano?
As consequências desse sistema foram pesadas para a população. A inflação e a falta de produtos básicos geraram uma das maiores crises migratórias da América Latina, com milhões de venezuelanos deixando o país em busca de oportunidades em outros lugares.
Ainda assim, há quem apoie o governo por acreditar que as intenções iniciais do projeto socialista foram boas, e que o bloqueio econômico internacional teve papel importante na piora da situação.
De outro lado, muitos veem o regime como uma ditadura disfarçada de socialismo, que usa o discurso de igualdade para justificar o controle político.
Então, afinal: a Venezuela é comunista ou socialista?
A resposta é clara: a Venezuela é socialista, e não comunista.
O país segue um modelo chamado “socialismo bolivariano”, criado por Hugo Chávez, que mantém a existência de propriedade privada, mas com forte intervenção do Estado na economia e concentração de poder político.
O comunismo, em teoria, eliminaria completamente o setor privado, o que não acontece na Venezuela. Ou seja, o país vive um socialismo autoritário com traços populistas, mas ainda longe de um sistema comunista verdadeiro.
A Venezuela não é comunista. Ela adota um regime socialista que mistura controle estatal, autoritarismo político e dependência econômica do petróleo. Ao longo dos anos, esse modelo se distorceu e perdeu a força que teve no início, resultando em crise, desigualdade e fuga em massa de cidadãos.
O que existe hoje é um sistema onde o Estado tenta manter o discurso socialista, mas precisa lidar com a realidade de um mercado paralelo e uma economia em colapso. O comunismo, como conceito puro, nunca foi de fato implantado ali — e, na prática, o país vive uma versão enfraquecida de um socialismo centralizado.